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11 sinais de que a criança está sofrendo abusos, segundo especialista

A Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, lançou a Campanha Nacional Maio Laranja. A campanha tem como escopo incentivar a realização de atividades para conscientizar, prevenir, orientar e combater o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. A proposta é tirar o tema da invisibilidade, informando, sensibilizando, mobilizando e convocando toda a sociedade a participar da causa em defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

11 sinais de que a criança está sofrendo abusos 

"Não falar sobre a violência sexual e o suicídio na infância e na adolescência, não fará com que essas coisas não aconteçam. Elas acontecem sim. Nós podemos instruir a criança a defender de seu abusador quando este é alguém de fora do ciclo familiar, mas quem ensinará a criança a se defender do abusador, quando este é da família? Ora, a educação sexual não é para ensinar a criança a fazer sexo, é para, entre outras coisas, ensinar a criança a se defender de quem quer fazer sexo com ela.

Sim, porque 73% dos casos de violência sexual contra a criança acontece na casa dela ou na do suspeito, e é cometida pelo pai, padrasto, tio, avô... Em minhas pesquisas teóricas e campo, tenho visto que, infelizmente, a violência sexual sofrida na infância e na adolescência pode desencadear transtornos mentais graves levar à drogadição e ao suicídio. 

Estão relacionados com a violência física, verbal, psicológica e especialmente a sexual na infância e adolescência: a depressão, as crises de ansiedade, crises de pânico, o transtorno bipolar, os surtos psicóticos, a fissura pelo uso de drogas, a automutilação, a ideação suicida e até mesmo o desencadear da esquizofrenia (em indivíduos geneticamente predispostos).

Sinais de que a criança está sofrendo abuso sexual

Embora não seja fácil notar os sinais físicos de um abuso sexual e cada ser tenha o seu modo unimultiplo de sentir e expressar suas dores de existir, clinicamente falando, há alguns sinais que a maioria das crianças e dos adolescentes vítimas de crimes sexuais costumam apresentar. Dentre eles:

  1. Mudança repentina no comportamento: reclusão silenciosa ou agitação nervosa não verbal. Uma criança vítima de abuso também apresenta alterações de hábito repentinas. Pode ser desde uma mudança na escola, como falta de concentração ou uma recusa a participar de atividades, até mudanças na alimentação e no modo de se vestir
  2. Recusa e pânico para não ficar em certos lugares ou na companhia de certas pessoas. (Não despreze esse sinal).
  3. Aproximação excessiva: o contrário também acontece. Muitas vezes a criança se afeiçoa ao abusador por ele ser ‘bonzinho’. Esse ‘bonzinho’ também se mantém muito próximo e demonstra grande interesse na criança. Esse ‘bonzinho’ pede segredo a criança e a faz acreditar que tudo que ele está fazendo com ela é por amor.
  4. Pode acontecer um retrocesso, uma infantilização, como voltar a fazer xixi na cama, ter medos infundados, chupar o dedo, morder outras crianças, destruir objetos, se machucar propositadamente…
  5. Demonstra dificuldade de se relacionar, irritação, rebeldia, brigas constantes…
  6. Demonstra um comportamento sexualizado de maneira incompatível com a idade. Um desenho, uma “brincadeira” com o coleguinha, beijar ao invés de abraçar, tocar nas partes íntimas de outra criança, podem ser sinais de possa estar vivenciando uma situação de abuso. Quando uma criança que, por exemplo, nunca falou de sexualidade começa a fazer desenhos em que aparecem genitais, isso pode ser um indicador. O uso de palavras diferentes das aprendidas em casa para se referir às partes íntimas também é motivo para se perguntar à criança onde ela aprendeu tal expressão.
  7. Manifesta preferência em ficar pelos ‘cantos’ e não sente interesse em sair nem mesmo para os lugares de que mais gosta.
  8. Demonstra ter baixa autoestima, se autodeprecia, se sente rejeitado…
  9. Demonstrar curiosidade extrema por experimentar álcool e outras drogas.
  10. Desenvolver dores crônicas de estômago, disfunção renal e dores de cabeça.
  11. Sinais físicos: Há também os sinais mais óbvios de violência sexual. Em casos que deixam marcas físicas, essas podem ser usadas como provas à Justiça. Existem situações em que a criança acaba até mesmo contraindo doença sexualmente transmissível. A pediatra e a dentistas podem observar se a criança apresenta doenças sexualmente transmissíveis ou feridas suspeitas. Já vimos inúmeros casos de gravidez causada por uma violência sexual. É muito importante ficar atento a possíveis traumatismos físicos, lesões, roxos, dores e inchaços nas regiões genitais.

O que fazer para ajudar?

Geralmente, não é um sinal só, mas um conjunto de indicadores. É importante ressaltar que a criança deve ser levada para avaliação de especialista caso apresente alguns dos sinais mencionados acima. No caso de qualquer suspeita de abuso ou exploração sexual infantil, não hesite em realizar uma denúncia o mais rápido possível.

  • Caso identifique um ou mais dos indicadores listados acima, o melhor a se fazer é, antes mesmo de conversar com a criança, procurar ajuda de um especialista que possa trazer a orientação correta para cada caso.
  • Se você conversar com a criança ou adolescente, o conselho dos especialistas é sempre confiar na palavra dela. É importante que a criança possa se sentir ouvida e acolhida; que o adulto não questione aquilo que ela está contando, ou tente responsabilizá-la pelo ato.
  • Se tiver dúvidas procure a coordenação da escola, que costuma ter profissionais treinados pra identificar casos de violência sexual.
  • Você pode acionar o Sistema de Garantia de Direitos, por meio do Conselho Tutelar, Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS) ou Vara da Infância e da Juventude.
  • Não se omita – Disque 100. O Disque 100 é o canal de denúncias criado pela Secretária de Direitos Humanos e está preparado para atender e orientar denunciantes e/ou vítimas de violência sexual.

Levante essa bandeira: A culpa nunca é da vítima. E não existe impulso sexual incontrolável.

 

Clara Dawn, escritora, psicanalista, neuropsicopedagoga, presidente do IPAM - Instituto de Pesquisas Arthur Miranda em Prevenção à Drogadição, aos Transtornos Mentais e ao Suicídio na Infância e na Adolescência.

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