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Diário de um adicto - por Anônimo


Sou o caçula entre três irmãos e filho de um casal de professores, que por sinal sempre foram pessoas honestas e muito corretas. Os assuntos em minha casa sempre nunca foram ocultados, ou proibidos, todos os temas sempre foram discutidos abertamente, minha mãe nunca deixou nenhuma pergunta sem resposta, pelo contrário, questões como sexualidade, religião e drogas sempre faziam parte das nossas conversas.

Quando criança, sempre fui muito sério e responsável, era um bom aluno, bom filho, enfim, uma criança muito esperta e sempre pronto a ajudar as pessoas.
     
Minha experiência com as drogas começou aos 14 anos, na época da adolescência, pouco tempo depois que comecei a sair com meus irmãos e com os amigos deles. Creio que o fato de ter total liberdade com meus pais e de ter a confiança de todos, que me fez autossuficiente demais, resumindo, eu não soube lidar com toda aquela liberdade toda. Eu  já me sentia um homem, dono do meu nariz, pois, já podia sair de casa, ir às festas, tinha vários amigos e já chamava a atenção das meninas.
    
Comecei como a maioria das pessoas, bebendo, já que eu era tímido, precisava beber para ter coragem de "chegar" nas meninas e também para curtir as festinhas. Daí em diante, o álcool já havia se tornado um ingrediente essencial na minha vida, em seguida, comecei a fumar porque eu sentia a necessidade de mostrar a todos que eu já era como os caras mais velhos.
    
Apesar do meu posicionamento radical contra as drogas (ilícitas), aos 16 anos fumei meu primeiro baseado, foi amor ao primeiro trago. Desse dia em diante, minha vida mudou e eu sabia disso, mas a adrenalina e o efeito da droga em mim, não me deixavam parar... (continue lendo em: Diário de um adicto)

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